Rafaela Dutra é barista | Foto Divulgação

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O BARISTA AGREGA VALOR À BEBIDA

PRAZER EM SER BARISTA

O café, uma das bebidas mais apreciadas no mundo, está passando por transformações no ato de consumo.

Agora aquele café de máquina italiana ou outras formas de extração da bebida ganhou requinte de gourmet.

Mas não basta ter uma boa safra de grãos de café, uma boa máquina de servir, é necessário ainda uma especialização do profissional, agora chamado de ‘barista’. Esse profissional se preocupa com detalhes da pressão do pó de café na máquina, a temperatura d’água e xícara, além da origem do pó, entre outros ítens.

Em Botucatu uma das primeiras baristas a aderir ao atendimento gourmet, àquele profissional que prepara a xícara, o acompanhamento e, sobretudo a arte de retirar o produto com o amargo e acidez esperada do café foi Rafaela Dutra, que há quatro anos vem aperfeiçoando a arte de trabalhar com a bebida, a segunda mais consumida no mundo depois da água.

“Quando digo que sou barista a maioria das pessoas me olha cheia de dúvidas e logo vem a famosa pergunta “O que é isso?”. A atividade ‘barista’ vem do italiano que significa “aquele que atende no bar” e como é de costume os bares italianos servirem muito café, a palavra foi adotada mundialmente para designar o “especialista em preparar cafés”, explicou.

Rafaela conta que sempre gostou de tomar café e percebeu, há cerca de quatro anos, quando trabalhava em uma loja de brigadeiro que também servia café, as alterações no paladar, relacionadas à forma como preparava a bebida e buscou informações até descobrir a atividade de barista.

Ela então se inscreveu no curso da ‘Coffee Lab’, na Vila Madalena em São Paulo, considerada uma das cinco melhores escolas de baristas do mundo.

“Sou certificada como barista há três anos, treinada e certificada em uma das cinco melhores escolas de Baristas do mundo, o Coffee Lab, na Vila Madalena. Além de ser Cafeteria, o Coffee Lab é um laboratório e escola que forma Baristas, Mestres de Torra e Degustadores profissionais, criada pela Barista e Mestre de Torras, Isabela Raposeiras, que hoje é uma das mais famosas e importantes figuras no mercado cafeeiro”, contou a jovem de 24 anos, que se prepara para transmitir seus conhecimentos em cursos e consultorias na cidade e região.


O BARISTA AGREGA VALOR À BEBIDA 

Pressão correta, pó bem moído e temperatura certa para ‘aquele’ cafezinho

A barista relata que a atividade está sendo cada dia mais procurada. Ela conta que as cafeterias ou restaurantes que desejam oferecer um atendimento diferenciado aos seus clientes estão investindo nesse profissional, que entende da arte de servir vários tipos de café, desde o tradicional até os mais requintados com inclusão de bebidas, chocolates e até sorvetes, entre outros.

“Com o aumento de cafeterias e as novas tendências que o cafezinho vem oferecendo nos últimos tempos, cresce a necessidade de se encontrar excelentes baristas, aqueles que estudam toda a história, ciclo produtivo, torrefação, métodos de preparo e muito mais segredos que nosso café de cada dia esconde. As pessoas estão começando a entender que o café não é mais necessariamente um liquido amargo e escuro, que o mundo por trás dessa tradicional bebida é muito maior do que podemos imaginar”, observa.

Ela lamenta a existência de consumidores ou empresários do setor que não visualizaram ainda o valor agregado existente na arte de servir um bom café. Rafaela, de certa forma, fica irritada com café amargo e acido demais, quando ela está do outro lado do balcão.

“Infelizmente muitos confundem as propriedades sensoriais, o amargo que costumamos encontrar nas xícaras de café por ai, na avaliação técnica gourmet é considerado um grave defeito”. Tal amargor é aceito só se for bem levinho, aquele que não agride ao paladar e a necessidade mínima de açúcar usada, o que faz muito bem para a saúde.

“Já a acidez alta (aquele azedinho que sentimos na boca, assim como quando comemos uma fruta cítrica, tipo o morango, laranja e outras) na verdade é um grande ponto positivo que indica alta qualidade do café consumido”, explicou.

Rafaela Dutra diz que para identificar um café de alta qualidade é necessário analisar todos os ‘sensoriais’ presentes neste café, usando a sensibilidade do olfato e do paladar para saber encontrar as seguintes e principais características na bebida: Aroma, sabor, doçura, acidez, amargor, corpo e retro gosto (sensações deixadas pela bebida na boca).

“Existem duas espécies principais de café: a espécie predominante nos cafés especiais é a Arábica, pois contém mais aromas e sabores sensacionais. Já a espécie Robusta tem características mais rústicas, e maior produtividade, por ser mais resistente a pragas e mudanças climáticas. Os melhores Cafés são cultivados em maiores altitudes”, diferenciou.

“A água também vai interferir no sabor e na qualidade do seu café, dar preferência para água filtrada e mineral, independente do método de preparo é essencial”, completou.

Rafaela lamenta também que o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de café no mundo, negócio que movimenta bilhões em nossa economia, não seja facil encontrar no mercado: “temos sim bons cafés, mas é mais complicado de encontrar.”, lamentou.


 

PRAZER EM SER BARISTA

Rafaela Dutra, 24 anos, tem certificação da Coffee Lab, uma das melhores certificadoras de gourmet de café do mundo.

Rafaela Dutra que até recentemente atuava em uma empresa do setor, agora está oferecendo consultoria para empresários que atuam no mercado e pretendem agregar valor ao café gourmet, oferecendo alternativas ao cafezinho nosso de cada dia.

Ela garante que no momento de relaxamento para o consumo do café, diversos sentidos bioquímicos são estimulados.

“São muitas as razões para tomar uma xícara de café de qualidade: as memórias dos bons momentos em torno da mesa e o ritual de preparo; os benefícios que a bebida traz a saúde; a melhora de concentração e o consequente aumento de rendimento intelectual, os compostos químicos presente na bebida (cafeína e outros) afeta diretamente nosso sistema límbico, que é a unidade do nosso cérebro responsável pelas nossas emoções, comportamentos sociais, sexuais, aprendizagem, memória e motivação, resumindo”.

A profissional argumenta que a especialização em tirar café de qualidade contribui com momentos de prazer dos clientes e isso estimula fidelidade ao estabelecimento.

“A função é a integração de informações sensitivo-sensoriais com o estado psico-interno. Tirando a parte técnica, trabalhar com café para o público é transformar uma simples parada para o cafezinho em um momento de alegria e satisfação, o prazer de um verdadeiro barista é conseguir tirar um sorriso através de seu trabalho, é amar as pessoas de uma forma diferente”, filosofa a barista.

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