Morre empresário, voluntário social e jornalista Adolpho Dinucci Venditto

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O empresário e jornalista Adolpho Dinucci Venditto, faleceu na manhã desta quinta-feira, 29, no Hospital das Clinicas. Ele tinha problemas agravados por diabetes e estava há algum tempo internato na unidade médica.
Dinucci desde a década de 1950 tinha como paixão, alem da atividade odontológica, sua profissão de formação, o jornalismo, tendo participado como colaborador ou diretor de vários empreendimentos.
O mais conhecido – entre suas paixões – foi A Gazeta de Botucatu, que circulou por mais de 50 anos. Ele chamava o jornal semanal de Gazetinha.
A Gazeta de Botucatu foi fundada por um grupo de profissionais liberais da cidade e tinha uma linha editorial informativa, mas sempre com um editorial firme sobre a cidade. Eram eles alem de Adolpho Dinucci Venditto: Osmar Delmanto, Milton Mariano

 

Dinucci foi várias vezes retratado pelo artista plástico, o professor Vinicio Aloise, um dos mais fieis colaboradores de A Gazeta, Uma dessas Aloise brinca com o amigo como se lê na charge: diretor, editor, redator e leitor da Gazeta, se referindo ao amigo, que fazia de tudo pelo jornal.
O empreendimento de comunicação, graças a Dinucci, fez  A Gazeta de Botucatu, um dos poucos jornais na região a ter seu parque gráfico. Posteriormente com a introdução de meios digitais, Dinucci inovou novamente terceirizando impressões em outras empresas.
Com a redemocratização do Brasil, Dinucci implantou no jornalismo local a pesquisas eleitoral, que ele mesmo fazia. Era hábito, sempre às sextas-feiras, antes do domingo eleitoral, A Gazeta de Botucatu publicar o retrato eleitoral e que indicava o resultado das campanhas vencedoras. 
Os candidatos esperavam ou mandavam buscar o exemplar por volta da meia noite na gráfica do jornal para saber o resultado. Quem não estava liderando criticava. Houve quem tivesse queimado o jornal que divulgava pesquisa negativa em comício. Na maioria das vezes o resultado confirmava. 
Alem disso, Dinucci no mês de abril fazia a mais consistente edição de aniversário da cidade, sempre escolhendo um tema especifico para destacar no período e com isso buscava ajuda de historiadores, jornalistas, artistas gráficos e revisores para as edições que circulavam com dezenas de páginas.
Dinucci também foi fundador da Associação dos Dentistas da Cidade, foi presidente da APAE por longos anos, dirigente do Botucatu Tenis Clube, membro atuante do Lions Clube de Botucatu.
Na década de 1960, junto com outros empresários e jornalistas da cidade, participou ativamente das ações pela instalação da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu, um dos embriões do campus da Unesp, que tinha entre outros as lideranças de Emílio Peduti, Plínio Paganini e o Professor Faraldo, o idealizador do projeto. Depois chegou a emprestar a redação de seu jornal para reuniões da comissão pró-reitoria da Unesp em Botucatu.
Editorial de 50 anos do jornal fundado por Milton Marianno, ex-diretor nacional do Banco Sudameris, Osmar Delmanto, advogado e Dinucci. Charge de Vinicio Aloise.| Imagens Blog do Delmanto|
No final dos anos 1970, Dinucci ocupou pela primeira e única vez um cargo publico, quando foi Diretor de Turismo do Município (equivalente na época ao cargo de Secretario), tendo explorado, então pela primeira vez, as belezas naturais da cidade, como as cachoeiras e rios, alem de atividades culturais. Isso aconteceu na gestão Lico Silveira-Monteferrante.
Por muitos anos Dinucci participou ativamente dos conselhos municipais de Desenvolvimento Integrado da Cidade e também no Esporte e Turismo.
E isso continuou mesmo na vida privada. A viabilização do primeiro Teatro Municipal na cidade, deve-se ao envolvimento de Adolpho Dinucci, que interferiu junto aos herdeiros do antigo Cine Paratodos, na venda do imóvel para o município em condições especiais de compra, feita no inicio da segunda gestão do ex-prefeito Jamil Cury. Surgiu então o Teatro Camilo Fernandes Dinucci, um dos maiores teatros do Estado de São Paulo, com quase 600 lugares.
Dinucci também era associado da Academia Botucatuense de Letras, ABL e foi amigo pessoal de inumeros escritores famosos de Botucatu e do Estado de São Paulo.
No Rio Bonito também teve interferência de Adolphinho, como era conhecido pelos amigos, principalmente os membros do Lions. Ele cedeu parte de um imóvel às margens do rio Tietê para melhorias e sistema viário.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Botucatu perde um dos principais protagonistas da história recente da cidade e região.
    Lembro das pesquisas eleitorais que fazia e que era ansiosamente aguardada tanto pelos políticos como pelos jornalistas.
    Vai fazer falta.

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