A “Gazetinha” do Dinucci

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Edil Gomes *
Seria difícil contar toda a vida de Adolpho Dinucci Venditto. Ele era muito ativo, teve muitas fases de sua vida onde se dedicou a vários segmentos, não parava um minuto, sempre tinha algo para fazer. Contudo ele conseguiu conciliar tudo e contou a história de Botucatu nas páginas do jornal A Gazeta de Botucatu. Tudo o que realizava tinha tanta dedicação que contagiava quem estava com ele, não fazia por fazer, buscava sempre o melhor e não media esforços.
Lembro-me quando estava modernizando o jornal passando do sistema de tipo (que era a montagem das matérias letra por letra) para o Off-set, onde podia usar mais fotos, tive o prazer de ajudar a fazer essa adaptação e continuei por mais de 10 anos… Quantas histórias e, quanto aprendi!
Ele se preocupava com cada artigo que entrava toda semana no jornal, fazia questão de revisar todos, tinha seus colunistas cativos e o lugar certo de cada um deles: Milton Marianno, Ruth Mariano, Elda Moscogliato, Bahige Fadel, Edson Lopes e intercalava notícias da cidade e a página de esportes. Ele também tinha a sua coluna “Há 40 anos” onde transcrevia os fatos do passado tirados da própria coleção da Gazeta, tinha também outros colunistas que mandavam seus textos e ele sempre arrumava um lugar para encaixar.
Era também esperada a coluna “GazeTV” da sua filha Carmen Tereza, onde era apresentado o resumo das novelas e não podia faltar a Coluna de página inteira “A Gazeta Na Sociedade” de Glorinha Dinucci, onde também escrevia o “Pra Começo de Conversa” e era retratado os eventos sociais, tudo feito com muito capricho, fotos, textos, cada detalhe tinha uma dedicação para que tudo saísse o mais perfeito possível, fazia questão de acompanhar a montagem a fazer sugestão de melhor posicionamento dos textos e fotos.
Outro fato marcante era nas eleições onde Dinucci não parava, se envolvia nos bastidores da política local e corria para fazer sua pesquisa tão esperada entre os candidatos a prefeito e vereadores. Tinha uma metodologia própria e ele mesmo saia com as cédulas do voto e sua urna, corria os quatro cantos da cidade e coletava votos de todas as classes sociais. Podia fazer o que fosse, mas ele não revelava o resultado nem pra gente que trabalhava diretamente com ele, e olha que eram muitos que procuravam querendo saber. Só eram revelado os números depois da edição pronta e com os espaços só para colocar os dados. Era a ultima coisa que entrava no jornal… Era tão confiável que era a mais esperada nas vésperas das eleições.
Também se dedicava muito nas edições especiais do aniversário de Botucatu, eram meses antecedendo seu preparativo, mandava propostas para os anunciantes e para desenvolver o tema que seria abordado nas edições… Deixou grande contribuição para a Cidade, pois com o valor arrecadado ele pagava para que um tema fosse desenvolvido especialmente para o Jornal.
Dentre eles o “Imagens de Uma História”, onde retratou o antes e depois de vários pontos históricos de Botucatu. Em 1997, Dinucci já levantava a bandeira do turismo em Botucatu publicando “Turismo: a alavanca do desenvolvimento do ano 2000”, e seguiu com “Botucatu berço da Cultura”, “Terra das Boas Escolas”, “Os Italianos na história de Botucatu”, “Negros – uma história de Lutas e realizações”, em 2002 “Botucatu – 147 anos na visão de nossas personalidades”, “Poder Judiciário – Primeiros Passos da Justiça”, “Igrejas católica e protestante”, dentre outros, quase todas tinham ilustrações previamente solicitadas ao desenhista Vinicius Aloise, além do tema central, ainda deixava espaço para os colunistas escreverem sobre o aniversário de Botucatu, era uma grande edição tão esperava que em pouco tempo se esgotava a tiragem.
Toda a coleção do jornal era muito bem guardada em uma sala, todas encadernadas e identificadas. Queria ver Dinucci bravo era ele ver alguém folheando essa coleção, sem antes pedir permissão, tanto era o carinho que tinha.
Do conteúdo das páginas da Gazeta de Botucatu também foram publicadas vários livros, como três volumes de todos os artigos de Elda Moscogliato, alguns colunistas aproveitaram e fizeram a publicação dos artigos.
O próprio jornal lançou também o livro com 478 páginas, “Botucatu: História de uma Cidade”, teve também o “50 anos da Gazeta – Jubileu de Ouro”, com vários artigos de personalidade da cidade, porém o mais emocionante foi o lançamento do livro onde homenageou sua esposa Glorinha Dinucci com o livro onde foram transcritos seus textos da coluna “Pra Começo de Conversa”. O mais interessante de tudo é que a publicação foi uma surpresa. Dinucci planejou tudo, escolheu os textos, pensou na capa, convidou cada pessoa para o coquetel e a Glorinha só ficou sabendo no dia que seria lançado seu próprio livro, foi uma emoção muito grande.
Não poderia deixar de citar também as confraternizações que fazia no fim do ano, normalmente era feito no Recanto do Ipê, fazia uma única mesa em uma ala separada, era onde cada um dos colunistas se reunia para contar os fatos ocorridos no ano.
O jornal surgiu em 1957. Citei aqui apenas uma pontinha de sua história, antes disso teve outros tantos anos, mas a vida de Dinucci não se limitava ao jornal, se desdobrava em seus vários outros compromissos, já não exercia mais a profissão de dentista, mas ainda atuava na APAE de Botucatu, no Lions Clube e sempre era solicitado e comparecia nos eventos sociais e cívicos de Botucatu.
Adolpho Dinucci Venditto não quis somente deixar uma história de vida, ela transcreveu essa história em mais de 50 anos do Jornal A Gazeta de Botucatu.
Edil Gomes, é diagramador e empresário na Diagrama

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