Sob o olhar azul: Há oito, estou.

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Sentada aqui na praça do Infante, com igreja de Santa Maria de um lado, a torre de Santo Antônio, a fonte atrás, ahhhh…. tô me despedindo.
A algaravia no Algarve, de brasileiros, alemães, ingleses, espanhóis, moldávios e ucranianos, malaios, hindus, chineses, pessoas em excursões, normalidade rotineira de Lagos.
Um dia cinzento em que já caminhei.
A beira do Bensafrim, do Pinhão passando pela Batata, o rio, do outro lado a do Meio, calçadas de pedras portuguesas que brilham, seculares,enquanto não alcanço a ponte pensil na Marina.
E o pensar sem fim.
Que vem do observar.
E do ouvir.
O PIB desse ano, de -0,2%, o maior déficit em 40 anos, a diminuição do IVA (imposto) da energia elétrica, a fixação do valor máximo do vale-transporte por família e a gratuidade até os 12 anos, os livros escolares gratuitos até o 12° ano, o orçamento para 2019, o conhecimento geral de serem objetivos eleitoreiros, visando o ano que vem.
E as greves e insatisfações salariais e de planos de carreira, o aumento real de 3% no salário dos funcionários públicos, com o salário mínimo tendo alcançado um acréscimo de quase €150 em dois anos.
Num governo parlamentarista de esquerda, que conta com uma Catarina e uma Assunção no parlamento, assim como uma mulher na PGR e outras nos ministérios da cultura e do ambiente e, na grande mídia, a presença feminina é marcante e respeitada.
Deputado, dono de banco, ministro, falsidade tecnológica, descaminho em favor de familiares, obstrução de justiça, deu cadeia rápida pros envolvidos.
O primeiro ministro não sai da mídia. Tem sempre um discurso na manga e sorri sem mais, tanto faz.
O Canadá liberou a maconha para uso recreativo, e o uso da cannabis para fins medicinais ganha o mundo, devagar e sempre, dando melhor qualidade de vida aos pacientes de todas as idades.
Tudo isso ouvi nos intervalos noticiosos do programa matinal “Macaquinhos no Sótão”, da M80, cujo assunto, hoje, era o “atraso” como instituição cultural portuguesa.
A cada dia uma polêmica divertida levada pelos apresentadores.
Aí percebo que já estou com saudades porque gosto do que vivo aqui, como também estou com saudades do que vou encontrar na volta a rotina em Botucatu.
A gente daqui, gentil é.
E as senhorinhas, elegantes são.
A qualidade de vida se vê na limpeza de ruas e praças, na quantidade de lixeiras e containers de disposição, na educação no trânsito, com setas e faixas de pedestres.
Também a segurança de andar pelas ruas e tomar banho de mar sem a tensão com bolsas e celulares.
A variedade de frutas, verduras e legumes, com os preços da estação, sempre bons.
Feijões de inúmeras qualidades, pré cozidos, em vidro.
Uma coleta seletiva que funciona e está na educação básica.
E os pães e suas variações, e doces e gelados, ahhhh…que delícia são.
E o pensar que não acaba.
Porque a vida aqui é bem boa.
Porque a gente daqui é bairrista.
Porque o governo daqui tem soluções e deficiências.
Porque cada lugar é igual e tem particularidades..
Porque as pessoas acham diferenças pro bem e pro mal no que é igual.
Somos resultado de nossas ações.
Estamos na frente da bifurcação.
O planeta não tem lado B.
O viver não tem lado B.
A escolha não terá lado B.
Até mais, queridos.

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