Dois Olhares. Sob olhar azul

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Cheguei no Brasil e tive um choque.
No aeroporto até fiquei surpresa.
Devo ter tido sorte.
Foi tudo bem rápido, na apresentação de passaporte e na recuperação das malas.
Talvez uma compensação pelo castigo que é mudar de hemisfério durante o dia. Pelo menos pra mim é.

No translado até o centro,
conforto e água, internet e entradas USB, não me impediram de chapar vendo uma mulher furtar um cara que tomava cerveja com outro, na calçada da São João, simplesmente tirando a carteira dele do bolso traseiro.

Aí eu desmontei.
Tantas emoções de estar e voltar a se separar de filhos.
Tantas emoções de voltar pra casa.
Tantas emoções de poder estar aqui no Brasil pra participar do processo eleitoral, mesmo que no final.
E eu estava no Brasil, em São Paulo, vendo um furto enquanto o sinal estava fechado para o ônibus que me trazia do aeroporto de onde desembarquei vinda de Lisboa, tendo chegado de Lagos onde fiquei por mais de 40 dias.

Sem ver nada disso, nem perto de, nem lembrando de tal possibilidade.

Na tv pude confirmar as notícias que recebi pelos amigos sobre o processo eleitoral.
No táxi consegui virar o voto, talvez, de uma pessoa que, ao saber que eu chegava de Portugal, me disse que toda sua família pensa em emigar porque ouviu falar que é fácil.

Foi ficando difícil, sabe?

Mas cheguei.
E minha casa me recebeu frutífera e florida a não mais poder de linda.
Cheguei.
Teve chuva, vento, sol, nuvens, lua cheia minguando e amigos queridos por perto.

Cheguei a minha cidade.
Vim cheia de energia afetiva que vai me impulsoniar nesse próximo espaço de tempo.

Estou sempre confiante no bem maior.
Não tenho mais tempo pra desviar do caminho que optei por caminhar.
Tenho total liberdade pra ser quem sou.
Acredito no viver o amar e amar o viver.
Sou muito feliz comigo.

Bora fazer o melhor.

Até mais, queridos.

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