Gesiel Júnior
Especial para o Botucatu on line
Editado sem nenhum apoio cultural no fim de 2018, o livro “Pedra da Fé – a história da Igreja Católica no alto da Serra”, do pesquisador botucatuense João Carlos Figueiroa, embora seja referência obrigatória para quem deseja saber dos caminhos do catolicismo na região, ainda carece de reconhecimento.
Dividido pelo autor em três partes fartamente ilustradas, o livro narra desde a pré-história da diocese de Botucatu e discorre, de maneira didática, sobre o longo período da morte do primeiro bispo até a atualidade.
“Não pretendo polemizar e nem problematizar, mas apenas auxiliar nos estudos mais aprofundados sobre o tema”, avisa Figueiroa.
Com tiragem limitada, a primeira edição de “Pedra da Fé”, inteiramente bancada pelo autor, ainda nem teve lançamento oficial. Com primorosa diagramação de Fernando Billah, o volume de 376 páginas traz na capa, numa penumbra, as ruínas da igreja de São João Batista, de Botucatu, fotografadas por Daniel de Moraes.
Em seu vigésimo livro, Figueiroa, ex-presidente do Centro Cultural de Botucatu, mostra o resultado de reportagens e ensaios que publicou na imprensa nos últimos 30 anos.
“Afeito à lide jornalística, ele acumulou experiência para continuar a busca pelos aspectos mais específicos da história local”, afirma Billah, na orelha, onde declara que o novo livro está repleto de informações mais completas sobre as origens da Igreja e de seus principais personagens desde meados do século dezenove.

Padroado e episcopado

A leitura de “Pedra da Fé” aponta a imensa influência política do clero na formação cultural da sociedade oitocentista. Descreve o panorama das sertanias e as ações de vigários durante o regime do padroado régio que culminaram na criação do bispado de Botucatu, em 1908. Na sequência, cronologicamente exibe os trabalhos e as conquistas dos oito bispos, de dom Lúcio Antunes de Souza a dom Maurício Grotto de Camargo.
Contudo, é de se lamentar que Figueiroa não conte com apoio para que seu livro seja mais conhecido, lido e consultado. Parece faltar sensibilidade nos que estão à frente dos poderes públicos, das instituições culturais e da própria Igreja. Afinal, uma obra tão substanciosa como essa merece investimentos de lideranças para chegar às bibliotecas, às salas de leitura e aos olhos até do clero carente de entender o seu papel preponderante no curso da história.
Por fim, ainda há tempo para apelar aos dirigentes das Secretarias Municipais da Educação e da Cultura, da Academia Botucatuense de Letras e da Arquidiocese de Botucatu, para que abram as páginas dessa valiosa obra historiográfica e se deixem catequizar pelo entendimento das humanidades, tendo a fé como pedra basilar.
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Gesiel Júnior, 55, cronista e pesquisador, é autor de vários livros sobre a história da Igreja na região.

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