Estou dentro do carro.
Estamos indo para o Bom Retiro

Por mais que se modifique o caminho, as cenas se repetem como um déjà vu.

Numa lata de Nescau, um tanto de macarrão num fogareiro avivado por papéis e plásticos.
A pessoa e suas roupas tem a mesma cor de desistência.

Todos temos uma história.
Nascemos e vivemos.

Onde ficaram as histórias dessa multidão?

Em que momento da história deu-se a quebra da continuidade do viver?

O por que dessa opção me intriga, sempre.

Sem ser santa, por favor, não.
Não é isso.
Não é julgamento nem comiseração.
É pura intriga.

A vida vai rolando, altos e baixos, humores e amores, fartura e carência, saúde e doença, família e solidão….
As variáveis do viver.
Ok.

Quanto de desistência?
Quanto de decepção?
Quanto de desolação?

O que faz o vício vencer?
Em que momento decide-se pelo anonimato das ruas?
Por ficar da mesma cor que sua roupa?
Por cheirar mal e catar piolhos na própria cabeça?

O que aconteceu com a mente pensante dessas pessoas?

Nascemos e vivemos.
Criamos nossa história.

Onde foi parar a história dessa multidão que habita as ruas?
Pra onde vão essas memórias?
Onde ficaram suas fotos de família?

Ahhhhhh, não!
Não tenho medo de me consternar.

Sempre me impressiono e questiono.
Não tenho a resposta pra nenhuma das minhas perguntas.
Também não tenho nenhuma atitude a tomar.
Estou impotente.
Estamos impotentes.

Haverá uma solução?
Haverá um resgate?
Ou esse é um holocausto particular?

As pessoas dessa multidão abandonaram sua história pessoal pra se anularem coletivamente.
Tornaram-se farrapos desbotados e destituídos de história.
Usaram o livre arbítrio pra auto destruição.

Ahhhhhh, as consequências de cada uma de nossas ações!

Sempre triste, eu fico.

Até a próxima, leitores queridos.
Valeu!

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